"Esvaziou-se a si mesmo..." (Flp 2,7)

Monday, 20 August 2018

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Stabat mater dolorosa

Maria, a Mãe dolorosa que permaneceu de pé na hora mais cruel da história


"Stabat mater dolorosa” (“A Mãe Dolorosa permanecia em pé “) é um dos hinos espirituais mais pungentes da Idade Média. Composto no século XIII, o poema medita sobre a dor de Maria ao pé da cruz, durante o sacrifício do filho Jesus no Calvário. Não há certeza sobre a autoria do hino, que pode ter sido escrito pelo papa Inocêncio III ou pelo frade franciscano Jacopone da Todi.

Em vários lugares do mundo cristão, durante a Via Crúcis rezada na Quaresma, as estrofes do “Stabat Mater” costumam ser cantadas de duas em duas durante a passagem de uma estação para a outra.

Confira logo abaixo o texto em latim e a versão ao português feita por Padre Ricardo Dias Neto.

 
QUARTA DOR: MARIA ENCONTRA JESUS NO CAMINHO DO CALVÁRIO

Agonia da Virgem no começo da Paixão de seu Filho.

Encontro da Mãe com o Filho:

Partiu Maria com João. Da passagem do Filho lhe faltavam os rastros de sangue pelo caminho, conforme ela mesma o disse a Santa Brígida. Boaventura Baduário fala de um atalho que a Mãe aflita tomou para ficar depois esperando numa esquina pelo Filho atribulado. Aí estava a espera dele, quando foi reconhecida pelos judeus e deles teve de ouvir as injúrias contra seu amantíssimo Jesus. [...]

Fitaram-se, finalmente. Como diz Santa Brígida, o filho afastou dos olhos o sangue coalhado que lhe impedia a vista, então Mãe e Filho fitaram-se!

Ó céus, que olhares cheios de dor! Transpassaram, como setas, esses dois corações que tanto se amavam e queriam.

Maria segue Jesus até o calvário

Ah! Virgem Santíssima, aonde ides? Ao Calvário? Tereis ânimo de ver pregado à cruz Aquele que é vossa vida? [...]

Adiante vai o Filho, e atrás segue a Mãe para ser crucificada com ele, diz Guilherme, abade. (Santo Afonso de Ligório, 1989, p.287)

 
TERCEIRA DOR: A PERDA DO MENINO JESUS (Lc 2,41–50)

Sentir a falta de um filho do qual a presença nos é tida como certa. Eis a dor que os pais conhecem ou, pelo menos, lhes é possível compreender quão grande seja tal sofrimento. Quando o Filho é Deus, não encontramos parâmetro para tamanha dor. No entanto, Maria e José santamente a conheceram.

Os hebreus celebravam suas festividades em Jerusalém, onde se dirigiam várias vezes no ano, sobretudo no tempo Pascal. Segundo São Lucas, a Sagrada Família de Nazaré cumpria esses preceitos, pois São José e a Virgem Maria “iam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa” (Lc 2,41). E acrescenta: “Quando o menino completou doze anos, segundo o costume, subiram para a festa“ (Lc 2,42).

Era costume entre os israelitas irem às festas em caravanas, separados os homens e as mulheres, sendo que os meninos podiam ir com o pai ou com a mãe. Portanto, “São José e a Santíssima Virgem, não vendo o Menino ao lado, acreditaram, cada um por sua parte, que estava em companhia do outro” (São Beda). Maria estava tranquila em saber que seu filho estava com seu esposo, dele cuidando e sendo por ele cuidado. São José, por sua vez, não tinha porque se preocupar, na certeza de que Jesus e Maria estavam juntos.

Uma vez percebida a ausência de Jesus, seus pais, imediatamente, começam a procurá-lo: primeiramente na superfície (proximidade, parentes e amigos) e, em seguida, mais profundamente (em Jerusalém). Finalmente, após três dias de busca, “eles o encontraram no Templo, sentado em meio aos doutores, ouvindo-os e interrogando-os” (Lc 2,46). Em seu agir, Maria nos ensina a encontrar seu Filho. Quando a alma, verdadeiramente apaixonada, se dá conta da ausência do seu Amado, do seu Bem Maior, percorre decididamente esse caminho de busca: do imediato da superfície (exterioridade, esforço) ao abandono na profundidade (interioridade, templo do Espírito Santo), conciliando o esforço humano e a graça.

 
100 anos de Fátima: a “escandalosa traição” da Irmã Lúcia


De certos pontos de vista atuais, a última vidente de Fátima fracassou miseravelmente em sua missão de divulgar a devoção

O texto que reproduzimos a seguir parece uma “provocação”, à primeira vista, entre as tantas que se fazem no mundo sem fé em que vivemos. No entanto, ele se revela uma sensível e iluminadora reflexão sobre o sentido de “fracasso” e “sucesso” na missão, conforme seja visto aos olhos do mundo ou aos olhos de Deus. O que parece “traição” do ponto de vista meramente humano pode ser o maior triunfo aos olhos de Deus, que enxerga a essência. O texto é do pe. Gonçalo Portocarrero, de Portugal, e está aqui adaptado ao português brasileiro.

 

É escandaloso, mas é verdade: decorridos cem anos das aparições de Fátima, é possível afirmar que a principal vidente, não obstante a sua tão longa existência, não cumpriu, com eficiência, a sua missão aqui na Terra. É estranho que os jornalistas, tão argutos e corajosos na descoberta e publicitação dos “podres” da Igreja, nunca tenham denunciado este caso.

Como misterioso é o silêncio que salvaguarda a memória da última vidente de Fátima, quando é por demais óbvio que defraudou as expectativas que sobre ela recaíram, nomeadamente como confidente da “Senhora mais brilhante do que o sol”.

A matéria de fato é conhecida. Na segunda aparição da Cova da Iria, Lúcia expressou um desejo comum aos três pastorinhos: “Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu“. A esta súplica, a resposta de Maria não se fez esperar:

“Sim, a Jacinta e o Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”.

 
SEGUNDA DOR: A FUGA PARA O EGITO (Mt 2,13-14)


A segunda dor de Nossa Senhora nos ensina a viver bem a quarta regra Kénosis: Renunciar a tudo e a si mesmo.

Ao meditar esta dor de Maria, vemos tamanha coragem dessa jovem mãe, que ao ser acordada na madrugada por seu esposo José (Mt 2-14) não hesitou em  pegar o menino Jesus e fugir para o Egito.

Naquele momento, Maria, conduzida por José, se tornava a salvadora do Salvador.

Mas onde está então a dor?

Na incerteza?

O que aconteceria a partir daquela hora?

“O Egito é muito longe” “ As feras do deserto vão nos atacar” “ Como vou caminhar tanto assim” “ Vamos ter um teto para passar a noite? ”  “ O que vamos comer? ”

Sem hesitar, podemos ver também, essas como as nossas dores.

No DESAPEGO de si mesma encontramos a dor maior.

 
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