"Esvaziou-se a si mesmo..." (Flp 2,7)

Saturday, 07 December 2019

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O Advento: Tempo de Espera PDF Imprimir E-mail

adventoA palavra adventus significa vinda, advento. Provém do verbo "vir". É utilizada na linguagem pagã para indicar o adventus da divindade: sua vinda periódica e sua presença teofánica no recinto sagrado do templo. Neste sentido, a palavra adventus deve significar "retorno»"e "aniversário". Também se utiliza a expressão para designar a entrada triunfal do imperador: Adventus divi. Na linguagem cristã primitiva, com a expressão adventus se faz referência à última vinda do Senhor, a sua volta gloriosa e definitiva. Mas em seguida, ao aparecer as festas de natal e epifanía, adventus serve para significar a vinda do Senhor na humildade de nossa carne.

Deste modo a vinda do Senhor em Belém e sua última vinda se contemplam dentro de uma visão unitária, não como duas vindas distintas, mas sim como uma só e única vinda, desdobrada em etapas distintas. Mesmo que a expressão faça referência direta à vinda do Senhor, com a palavra adventus a liturgia se refere a um tempo de preparação que precede às festas de natal e epifanía. É curiosa a definição do advento que nos oferece no século IX Amalario de Metz: "Praeparatio adventus Domini". Neste texto o autor mantém o duplo sentido da palavra: vinda do Senhor e preparação à vinda do Senhor. Isto indica que o conteúdo da festa serviu para designar o tempo de preparação que a precede.

Toda a mística da esperança cristã se resume e culmina no advento. Por outro lado, também é certo que a esperança do advento invade toda a vida do cristão, penetrando e envolvendo.

Terá que distinguir no advento uma dupla perspectiva: uma existencial e outra cultual ou litúrgica. Ambas as perspectivas não só não se opõem, mas também se complementam e enriquecem mutuamente. A espera cultual, que se consuma na celebração litúrgica da festa de natal, transforma-se em esperança escatológica projetada para a parusía final. A espera, em última instância, é única; porque a vinda do Senhor, aparentemente múltiplo e fracionada, também é única.

As primeiras semanas do advento sublinham o aspecto escatológico da espera abrindo-se para a parusía final; na última semana, a partir de 17 de dezembro, a liturgia do advento centra sua atenção em torno do acontecimento histórico do nascimento do Senhor, atualizado sacramentalmente na festa.

A liturgia do advento se abre com a monumental visão apocalíptica dos últimos tempos. Deste modo, o advento transborda os limites da pura experiência cultual e invade a vida inteira do cristão inundando-a em um clima de esperança escatológica. O brado do Batista: «Preparem os caminhos do Senhor», adquire uma perspectiva mais ampla e existencial, que se traduz em um constante convite à vigilância, porque o Senhor virá quando menos pensemos. Como as virgens da parábola, é necessário alimentar constantemente as lamparinas e estar em vela, porque o marido se apresentará de improviso. A vigilância se realiza em um clima de fidelidade, de espera ansiosa, de sacrifício. O brado do Apocalipse: «Vêem, Senhor, Jesus!», Recolhido também na Didajé, resume a atitude radical do cristão ante o retorno do Senhor.

Na medida em que nossa consciência de pecado é mais intensa e nossos limites e indigência se faz mais claro a nossos olhos, mais fervente é nossa esperança e mais ansioso se manifesta nosso desejo pela volta do Senhor. Só nele está a salvação. Só ele pode nos liberar de nossa própria miséria. Ao mesmo tempo, a segurança de sua vinda nos enche de alegria. Por isso a espera do advento, e em geral a esperança cristã, está carregada de alegria e de confiança.

A espera continua. Continuará até o final dos tempos. Até então, Isaías, João Batista e Maria seguirão sendo os grandes modelos da esperança, e em suas palavras seguirá expressando o clamor angustiante da Igreja e da humanidade inteira ansiosa pela redenção.

 

Bernal Llorente

 

 

 

José Manuel Bernal Llorente

 

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