"Esvaziou-se a si mesmo..." (Flp 2,7)

Friday, 22 February 2019

  • Slide image one
  • Slide image two
  • Slide image three
Provérbios, em busca da Sabedoria PDF Imprimir E-mail

Kénosis, 10 de dezembro de 2014.Rogerio-Santos4

“Que o sábio escute, e aumentará seu saber,
e o homem inteligente adquirirá prudência
para compreender os provérbios,
as alegorias, as máximas dos sábios e seus enigmas.”
Pr 1,5-6

 

O Livro dos Provérbios encerra uma grande sabedoria para aqueles que desejam percorrer o caminho de santidade. Os conselhos estão orientados a conduzir-nos por uma via de coerência entre o discurso e a prática, entre aquilo que desejamos e a atitude que havemos de ter para viver segundo o que professamos.

 

Os Provérbios foram escritos a fim de que pudéssemos “conhecer a sabedoria e a instrução” (Pr 1,2), ou seja, eles têm por finalidade revelar a sabedoria, aquela que nos livra da insensatez e da ignorância. A Sabedoria as vezes pode aparecer personificada (cf. Pr 1,20-33) falando-nos como um pai ou uma mãe que deseja educar o próprio filho.

As “instruções” deste Livro não se configuram a um conjunto de regras morais. Antes, as palavras de instrução procuram explicitar o desejo que cada homem traz implícito no mais íntimo de seu coração: a vida e felicidade plenas; e apresentam a via que se deve trilhar para não perder-se enquanto caminha.

Os Provérbios também servem para nos fazer “compreender as palavras sensatas, adquirir as lições de bom senso, da justiça, da equidade e da retidão; para dar aos simples o discernimento, ao adolescente a ciência e a reflexão.” (cf. Pr 1,3-4). Notemos um ponto fundamental: as instruções serão sempre práticas: bom senso, justiça, equidade e retidão serão palavras que se repetirão muitas vezes. Até mesmo o mais simples poderá adquirir o “discernimento”; e o “adolescente”, ou seja, aquele que está no início de seu caminho e que ainda não possui a experiência adquirida pelo tempo, também esse poderá alcançar a “ciência e a reflexão” (cf. Pr 1,4).

Ciência e reflexão são duas potências que o homem pode desenvolver por si mesmo, mas que aqui apresenta-se como graça que acompanha o acolhimento da sabedoria. Quem encontra a sabedoria chega ao conhecimento da ciência e ao aperfeiçoamento da reflexão, ou seja, torna-se capaz de desenvolver o raciocínio – razão natural -  alimentado pela sabedoria de Deus. Por isso, “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Pr 1,7a). Não se poderá chegar à sabedoria sem antes reconhecer sua fonte: Deus! (cf. Pr 8,22)

É certo que a sabedoria está acessível a todos mas somente poderá ser alcançada por aqueles que a buscam. “Os que a procuram encontram-na. Ela antecipa-se aos que a desejam. Quem, para possuí-la, levanta-se de madrugada não terá trabalho, porque a encontrará sentada à sua porta.” (Sb 6,13-14).

Enfim, aquele que considera-se sábio não poderá dela furtar-se, pois se assim proceder, já não mais poderá ser chamado sábio. O primeiro conselho oferecido ao sábio é que “escute”, a fim de que “aumente o seu saber” (Pr 1,5). Sim, o conselho procede, uma vez que a sabedoria do sábio manifesta-se mais em escutar do que em falar. Quem decide escutar revela não apenas que está em busca da sabedoria, mas já manifesta os primeiros sinais de sua presença.

Nem tudo o que escutamos contém sabedoria. Há muitas palavras vãs e dignas de desprezo. A atitude de escutar, no entanto, sempre será grande sabedoria, ainda que o conteúdo do que se ouve nada acrescente ao sábio.

Eis uma grande graça que podemos alcançar: escutar a própria Sabedoria e nos deixar por ela moldar. “A Sabedoria clama nas ruas, eleva sua voz na praça, clama nas esquinas da encruzilhada, à entrada das portas da cidade ela faz ouvir sua voz...” (Pr 1,20-21a). Assim diz a Sabedoria personificada: “Aquele que me escuta, habitará com segurança, viverá tranquilo, sem recear dano algum”. (cf. Pr 1,33)

Grande sabedoria é saber escutar; maior graça, porém, é discernir as palavras e aprender a colocá-las em prática. Que o Senhor nos ajude “a compreender os provérbios, as alegorias, as máximas dos sábios e seus enigmas” (Pr 1,6), a fim de que cheguemos ao conhecimento de Deus e consigamos colocar em prática os seus ensinamentos em nossa própria vida.

 

Rogério Santos

 

 

 

Adicionar comentário

Os comentários que contenham links ou propagandas serão automaticamente recusados.
A publicação dos comentários dependerá da aprovação da equipe de Comunicação Kénosis.
Obrigado por interagir conosco. Deus abençoe!


Código de segurança
Atualizar