"Esvaziou-se a si mesmo..." (Flp 2,7)

Thursday, 25 April 2019

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Grandes ensinamentos do humilde São João da Cruz PDF Imprimir E-mail

SJdaCruzSeu nome era João de Yepes, espanhol. Foi um dos santos mais desconcertantes e ao mesmo tempo mais transparente da mística moderna. Era vinte e sete anos mais jovem do que sua amiga Santa Teresa de Ávila, que o chamava de seu “pequeno Sêneca”, por causa de sua baixa estatura. Amavelmente, Santa Teresa o chamava de “meio-homem”, mas não hesitava em considera-lo pai de sua alma. Dizia que não era possível conversar com ele sobre Deus em vê-lo em êxtase.

São João da Cruz foi um grande mestre da vida espiritual. O resumo de sua vida monástica estava nessas palavras: “Não faça coisa alguma, nem diga palavra alguma, que Cristo não faria ou não diria se se encontrasse nas mesmas circunstâncias de você, e tivesse a mesma saúde e idade suas.”; “Nada peça a não ser a cruz, e precisamente sem consolação, pois isso é perfeito.”; “Renuncie aos seus desejos e encontrará o que o seu coração deseja”.

Conheça alguns ensinamentos que este grande santo e doutor da Igreja nos deixou:

Se está em mim aquele a quem minha alma ama, como não o encontro nem o sinto? É por estar ele escondido. Mas não te escondas também; assim podes encontrá-lo e senti-lo…

Não faça coisa alguma, nem diga palavra alguma que Cristo não faria ou não diria se encontrasse as mesmas circunstâncias.

Renuncie aos desejos e encontrará o que seu coração deseja.

Quem se queixa ou murmura não é cristão perfeito, nem mesmo um bom cristão.

Para se progredir, o que mais se necessita é saber calar diante de Deus… a linguagem que ele melhor ouve é a do silêncio de amor.

O demônio teme a alma unida a Deus como ao próprio Deus.

A pessoa que caminha para Deus e não afasta de si as preocupações, nem domina suas paixões, caminha como quem empurra um carro encosta a cima.

A constância de ânimo, com paz e tranquilidade, não só enriquece a pessoa, como a ajuda muito a julgar melhor as adversidades, dando-lhes a solução conveniente.

As criaturas são os vestígios das pegadas de Deus, pelas quais se reconhece sua grandeza, poder e sabedoria.

Deus quer mais de ti um mínimo de obediência e docilidade, do que todas as ações que realizas por ele.

Mesmo que realizes muitas coisas, não progredirás na perfeição, se não aprenderes a negar a tua vontade e a sujeitar-te, deixando a preocupação de ti próprio e das tuas coisas.

Então, se conhecerá quem ama verdadeiramente a Deus: aquele que não se contenta com coisa alguma fora dele.

Na verdade, a satisfação do coração não se acha na posse das coisas e sim no despojamento de todas elas, na pobreza de espírito.

Uma só coisa é necessária: saber realmente renunciar-se interior e exteriormente, abraçando o sofrimento e o mais completo aniquilamento, por amor a Cristo.

Quem souber morrer a tudo terá vida em tudo.

Além das verdades reveladas pela Igreja quanto à substância de nossa fé, não há mais o que revelar. Por isso é necessário não só rejeitar qualquer novidade, mas também acautelar-se para não admitir as que aparecem sutilmente misturadas à substância dos dogmas.

Visões, revelações, sentimentos celestes e tudo quanto se pode imaginar de mais elevado, não valem tanto como o menor ato de humildade.

Quando o homem caminha revestido de fé, o mal não o atinge porque, com a fé, muito mais do que com todas as outras virtudes, está bem protegido contra o demônio, que é o mais forte e astuto inimigo.

A constância de ânimo, com paz e tranqüilidade, não só enriquece a pessoa, como a ajuda muito a julgar melhor as adversidades, dando-lhes a solução conveniente.

Toda a posse é contrária à esperança.

A virtude está no que não se sente, isto é, na humildade profunda e na renúncia de si mesmo e de tudo quanto é próprio e bem arraigado no ser; e em desejar não merecer nenhuma consideração.

Quanto maior a esperança, tanto maior a união com Deus, porque em relação a Deus, quanto mais se espera, tanto mais se alcança. E mais espera, quem mais despojado está.

O amor não consiste em sentir grande coisas, mas em despojar-se e sofrer pelo Amado.

Para onde quer que se oriente uma paixão, para lá se orienta também toda a pessoa e suas energias: todas estarão escravizadas por esta paixão.

Por causa de prazeres passageiros, sofrem-se grandes tormentos eternos.

Guardando as portas do espírito, isto é, os sentidos, guarda-se e aumenta-se sua tranquilidade e pureza.

Se renunciares a uma satisfação, o Senhor te dará cem vezes mais aqui na terra, no plano espiritual e temporal. Mas se te deixas seduzir pelo prazer sensível, recolherás o cêntuplo em aflições e amarguras.

É necessário ao cristão perceber que o valor das suas boas obras, jejuns, esmolas, penitências etc., não se funda tanto na quantidade e qualidade, mas na intensidade do amor de Deus com que as prática.

Quanto mais se acredita em Deus e se serve a ele sem testemunhos e sinais, tanto mais ele é exaltado pelo homem.

A perfeição consiste no perfeito amor a Deus e na renúncia de si mesmo. Não se pode, portanto, deixar de ter o conhecimento de Deus e o conhecimento próprio.

O amor não cansa nem se cansa.

Onde não há amor, põe amor e colherás amor.

Para quem ama, a morte não pode ser amarga, pois nela se encontram todas as doçuras e alegrias do amor. Sua lembrança, não é triste, mas traz alegria. Não apavora, nem causa sofrimento, pois é o término de todas as dores e o início de todo bem.

Para se progredir, o que mais se necessita é saber calar diante de Deus… a linguagem que ele melhor ouve é a do silêncio de amor.

Que felicidade o homem poder libertar-se de sua sensualidade! Isto não pode ser bem compreendido, a meu ver, senão por quem o experimentou. Só então se verá claramente como era miserável a escravidão em que se estava.

Quando vires teus desejos apagados, tuas afeições na aridez e angústia, e tuas faculdades incapazes de qualquer exercício interior, não sofras por isso; considera-te feliz por estares assim. É Deus que te vai livrando de ti mesmo, e tirando-te das mãos todas as coisas que possuis.

O progresso da pessoa é maior quando ela caminha às escuras e sem saber.

As comunicações verdadeiramente divinas têm a propriedade de, ao mesmo tempo, elevar e humilhar. Neste caminho, descer é subir, e subir é descer, pois ‘quem se humilha será exaltado, e quem se exalta será humilhado’ (Lc 18,14).

A pessoa deve ter em grande estima as lutas interiores e exteriores que Deus envia. Pois são muito poucos os que merecem ser consumados por sofrimentos e os que sofrem a fim de chegar ao ápice da união.

O desamparo é comparado a uma lima; e, padecendo nas trevas, chega-se à grande luz.

O que busca satisfação em alguma coisa, não está livre para que Deus o plenifique de seu inefável sabor.

Não basta conseguir libertar-se das criaturas; é preciso libertar-se e despojar-se totalmente também do prazer que se possa experimentar nas coisas espirituais.

A pessoa que se priva do sensível, torna-se mais disponível para receber as graças e os dons de Deus.

Para o homem de coração puro, tudo se transforma em mensagem divina.

Deus quer mais de ti um mínimo de obediência e docilidade, do que todas as ações que realizas por ele.

Ainda que estejas no sofrimento, não queiras fazer a tua vontade, pois terás assim o dobro de sofrimentos.

Mesmo carregado de grandes e molestas tentações, o homem pode ir a Deus, desde que sua razão e vontade não consintam nelas.

O pássaro que se deixa prender pelo visco, tem que desprender-se e limpar-se. De duas maneiras sofre quem satisfaz seus desejos: desprender-se; e, depois de desprendido, purificar-se.

Afastam-se muito de Deus os que o representam sob qualquer forma, seja como fogo consumidor, ou luz esplêndida, ou outros aspectos, buscando nessas imagens alguma semelhança do que ele é.

A procura de gostos sensíveis causa ao homem espiritual muitos prejuízos interiores e exteriores.

Sofrer por Deus é melhor que fazer milagres.

Embora a alma esteja no céu, se a vontade não se conformar com isso, não estará contente; assim nos acontece com Deus (ainda que esteja sempre conosco), se temos o oração afeiçoado a outra coisa fora dele.

É humilde quem se esconde no seu nada e sabe abandonar-se em Deus.

É sobremaneira conveniente à alma, que quer adiantar-se no recolhimento a na perfeição, olhar em que mãos se põe; porque qual o mestre, tal o discípulo.

Põe a atenção amorosamente em Deus, sem ambição de querer sentir ou entender coisa particular a seu respeito.

Quando a alma deseja a Deus com toda a sinceridade, já possui o seu Amado.

Para chegares a saborear tudo, não queiras ter gosto em coisa alguma.

Para chegares a possuir tudo, não queiras possuir coisa alguma.

Para chegares a ser tudo, não queiras ser coisa alguma.

Para chegares a saber tudo, não queiras saber coisa alguma.

Para chegares ao que não gostas, hás de ir por onde não gostas.

Para chegares ao que não sabes, hás de ir por onde não sabes.

Para vires ao que não possuis, hás de ir por onde não possuis.

Para chegares ao que não és, hás de ir por onde não és.

Guiemo-nos, pois, agora pela doutrina de Cristo-homem, de sua Igreja e seus ministros; e por este caminho, humano e visível, encontraremos remédios para nossa ignorância e fraqueza espiritual.

Quando tiveres algum aborrecimento e desgosto, lembra-te de Cristo crucificado e cala-te.

Na cruz, quando sofria o maior abandono sensível, Cristo realizou a maior obra que superou os grandes milagres e prodígios operados em toda a sua vida: a reconciliação do gênero humano com Deus, pela graça.

Queira tornar-te, no padecer, algo semelhante a este nosso grande Deus, humilhado e crucificado, pois que esta vida só tem razão de ser se for para imitá-lo.

A luz da fé comunica à alma toda a sabedoria de Deus; isto é, o próprio Filho de Deus é quem se comunica à alma na pura fé.

Há muito que aprofundar em Cristo, sendo ele, qual abundante mina com muitas cavidades cheias de ricos veios: por mais que se cave, nunca se chega ao fim, nem se consegue esgotar.

Ao criar todas as coisas, Deus as achou muito boas, porque as criou no Verbo, seu Filho.

Tenha a alma o desejo contínuo de imitar a Cristo em todas as coisas, conformando-se à sua vida, meditando-a para saber imitá-la, e agir em todas as circunstâncias como ele próprio agiria.

Não é bem orientado o espírito que quer caminhar por doçuras e facilidades, fugindo de imitar a Cristo.

A pessoa crucificada interior e exteriormente com Cristo, viverá feliz e satisfeita e, na paciência, possuirá a sua alma.

Fortalece o teu coração contra todas as coisas que te inclinam ao que não é Deus, e sê amigo da paixão de Cristo.

Nunca tomes o homem por exemplo no que tiveres que fazer, o santo que seja, porque o demônio porá diante de ti as suas imperfeições; imita, porém, a Cristo que é sumamente perfeito e sumamente santo e nunca errarás.

Se quiseres chegar a possuir Cristo, jamais o busques sem a Cruz.

O Filho de Deus se compraz na alma, isto é, permanece na alma, como em lugar onde acha grandes delícias, porque este mesmo lugar a própria alma também acha nele verdadeiramente seu gozo.

Deus só coloca sua graça e predileção numa alma, na medida da vontade e do amor da mesma alma.

Adquire-se a sabedoria através do amor, do silêncio e da mortificação; grande sabedoria é saber calar e não inserir-se em ditos ou fatos e na vida alheia.

Quando a alma se acha livre e purificada de tudo, em união com Deus, nenhuma coisa poderá aborrecê-la. Daqui se origina para ela, neste estado, o gozo de uma contínua suavidade e tranqüilidade, que ela nunca perde nem jamais lhe falta.

Ora, não há maior grandeza para a alma do que ser igualada a Deus. Por isso, ele se serve somente do amor da alma, pois é próprio do Amor igualar o que ama com o objeto amado.

Considerem isto os que são muito ativos: bem maior proveito fariam à Igreja, e maior satisfação dariam a Deus além do bom exemplo que proporcionariam a si mesmos se gastassem ao menos a metade do tempo empregado nessas boas obras, em permanecer com Deus na oração.

Tal é a alma que está enamorada de Deus. Não pretende vantagem ou prêmio algum a não ser perder tudo e a si mesma, voluntariamente, por Deus, e nisto encontra todo o seu lucro.

Não basta que Deus nos ame para dar-nos virtudes; é preciso que, de nossa parte, também o amemos, a fim de podermos recebê-las e conservá-las.

É próprio do perfeito amor nada querer admitir ou tomar para si, nem atribuir-se coisa alguma, mas tudo referir ao Amado. Se nos amores da terra é assim, quanto mais no amor de Deus.

Para Deus, amar a alma é, de certa maneira, integrá-la em si mesmo, igualando-a consigo; ama, então, essa alma, nele e com ele, com o próprio amor com que se ama.

Quando Deus vê a alma ornada de graça a seus olhos, muito se inclina a conceder-lhe ainda maior graça, em razão de permanecer dentro dela com agrado.

O olhar de Deus produz na alma quatro bens, isto é, a purifica, a favorece, a enriquece e a ilumina. É como o sol que, dardejando na terra os seus raios, seca, aquece, embeleza e faz resplandecer os objetos.

Logo que a alma se desembaraça das suas potências, esvaziando-as de tudo quanto é inferior, e de toda a posse , e as deixa em completa solidão, Deus as ocupa imediatamente.

O padecer é, para a alma, o meio para penetrar mais intimamente na espessura da deleitosa sabedoria de Deus, porque o mais puro padecer traz mais íntimo e puro entender, e, consequentemente, mais puro e sublime gozo.

Não fujas dos sofrimentos, porque neles está a tua saúde.

Ó grande Deus de amor e Senhor! quantas riquezas pondes naquele que não ama nem gosta senão de vós, pois a vós mesmo vos dais e fazeis uma só coisa com ele por amor!

A alma que quer que Deus se lhe entregue inteiramente, há de se entregar toda sem reservar nada para si.

Amado meu, tudo o que é difícil e trabalhoso o quero para mim, e tudo o que é suave e saboroso o quero para ti.

Na união com o Amado, a alma verdadeiramente se rejubila e louva a Deus, com o mesmo Deus, e assim este louvor é perfeitíssimo e muito agradável a ele.

Só Deus é quem move as potências das almas, postas no estado de união, para aquelas obras conforme à sua santa vontade e divinos decretos, sem que possam agir de outro modo. E assim as obras e súplicas dessas almas são sempre eficazes. Tais eram as da gloriosíssima Virgem Nossa Senhora, elevada, desde o princípio, a este sublime estado; jamais teve impressa na alma a imagem de alguma criatura, nem se moveu por ela; mas sempre agiu sob a moção do Espírito Santo.

Oh! que bens serão aqueles que gozaremos com o olhar da Santíssima Trindade!

 

Fonte: cleofas.com.br

 

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