"Esvaziou-se a si mesmo..." (Flp 2,7)

Monday, 20 August 2018

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A "determinada determinação" de Sta. Teresa PDF Imprimir E-mail

Há que determinar-se a ser “servos do amor”. Deus “é amigo de almas animosas”, porque não há oração autêntica sem vida cristã, isto é, sem as virtudes do amor, do desapego e da humildade. 

O que é a determinada determinação? 

É algo tão simples como o sim-sim do Evangelho. Não há caminho que dure na oração sem esta determinada determinação. Se o orante não está realmente determinado a ser servo do amor, isto é, com vontade decidida, não fará caminho que perdure no tempo. 

No entanto, mesmo quando há esta determinação da vontade, vemos que esta tem quebras e fracassos. Porquê? E isto pergunta-o S. Teresa ao Senhor: “Oh! Senhor da minha alma e Bem meu! Por que não quisestes que, em se determinando uma alma a amar-Vos fazendo quanto pode no deixar tudo para melhor se empregar neste amor de Deus, ela logo gozasse ao subir à posse deste amor perfeito?” (V 11, 1). 

Ela não espera que Deus responda. Ela própria cai na conta de que há em nós determinação sinceras da vontade que não conseguem penetrar as capas profundas da pessoa. A pessoa tem estratos de espessura inesperada, não fáceis de perfurar por um acto de vontade. A vontade serve-nos muitas vezes “determinaçõezinhas”, em vez de firmes tomadas de posição. No fundo o problema está em que não nos damos a Deus com a determinação com que Ele Se dá a nós. 

 

Na sua pedagogia da oração, S. Teresa propõe - para dobrar a vontade e rendê-la à determinada determinação – dois objectivos concretos: 
- Determinação de “não voltar atrás”. Empreender o caminho da oração decidido a não abandoná-lo nunca (C 23, tít. e 1). 
- Decisão de reservar para a oração um tempo do dia, dando-o a Deus, de todo, “com toda a determinação de nunca jamais voltar a tomá-lo” (C 23, 2). Dar a Deus o nosso tempo, não é tanto dar-Lhe um tempo de relógio, mas um pedaço da nossa vida. 
Este dar a Deus uma parte do nosso tempo faz parte da pedagogia teresiana da oração. 


Os três porquês da determinada determinação 

1 - A exigência do amor que recebemos 
2 - Estratégia ascética (auto-defesa) 
3 - Eficácia combativa 

1 - Quanto à exigência do amor: a quem nos ama tanto e nos dá tanto, não é razoável que Lhe demos a meias medidas. Isso seria emprestar e emprestar não é dar. Dar é despossuir-se e entregar e de forma irrevogável. Emprestar-Lhe o tempo, para voltar a tirá-lo é enganar o Senhor. Por isso este dar o tempo ao Senhor é, uma questão de delicadeza para com Ele. Quaisquer que sejam as circunstâncias em que venhamos a encontrar-nos “consagremos-Lhe aquele tempo com generosidade, decididos a nunca mais o retomar mau grado os trabalhos, as contradições e a aridez que possam sobrevir”. Uma pessoa que facilmente se dispensa da oração e não se empenha nela, retoma, de facto o tempo dado ao Senhor. 

2 - A segunda razão é de estratégia de defesa, na luta ascética. Um espírito decidido é menos vulnerável. Psicologicamente está mais defendido dos ataques do demónio, tanto o verdadeiro (“Porque se o demónio a vê com uma grande determinação de voltar atrás, muito mais depressa a deixará” – Mor. II), como os demónios da cobardia e do medo. A determinação é uma couraça contra a própria fragilidade. O demónio tem “grande medo de almas animosas” (C 23, 4). 

3 - A terceira razão é a eficácia combativa. O determinado “luta com mais ânimo” (C 23, 5). S. Teresa conhece a psicologia do soldado. Se não está decidido a dar tudo pela vitória, o medo pode vencê-lo. Quando, ao contrário, cai na conta de que “na vitória lhe vai a vida” (C 23, 5), está decidido a tudo. Assim, a ascese da vontade converte-se em fortaleza para a vida. 


A voz da experiência 

S. Teresa teve que determinar-se com toda a determinação e levou anos nesta luta. Ante o chamamento do Senhor a dar-se de todo a Ele, teve que perder os seus medos: medos de perder os amigos, de perder a saúde, medo à morte. “Até que me determinei em não fazer caso do corpo, nem da saúde, sempre estive atada, sem valer nada…” (V 13, 7). 

No entanto, apesar da nossa boa vontade e esforço, S. Teresa sabe que a determinada determinação tem uma componente de graça como ela própria o confessa: “Ele forçou-me a eu me fazer força” (V 3, 4). Ele a ajudou “para forçar-se a si mesma”. Isto foi a chave da vocação e determinação teresiana. 

Agora no Caminho, assegura que Deus não falha. É preciso dar o passo com absoluta segurança. Ele é fiel à palavra dada e há-de fazer beber a todos da fonte. “É grande coisa… ter experimentado como trata Deus aqueles que se determinam” (C 23, 5-6). E, ainda a partir do testemunho de vida das suas Irmãs, referenda o que já disse: “Isto é infalível, eu o sei; e aquelas de vós que, por bondade do Senhor, o sabeis por experiência, eu posso apresentar por testemunhas.” 

Como já dissemos, todos hão-de chegar a beber da fonte, embora nem todos bebam da mesma forma (uns bebem na fonte, outros nos riachos, outros em charquinhos de água); mas há que empreender, sem medo, o caminho da determinada determinação que leva a ela. Temos o exemplo de S. Teresinha que, mesmo sem ter bebido com abundância, foi verdadeiramente inundada pela luz do Espírito Santo.

Fonte: www.teresadejesus.carmelitas.pt

 

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