"Esvaziou-se a si mesmo..." (Flp 2,7)

Tuesday, 16 October 2018

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A alegria como fruto do Espírito Santo PDF Imprimir E-mail
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A Palavra de Deus nos ensina, por meio de vários personagens, como manifestarmos alegria em todas as circunstâncias. São muitas as passagens da Sagrada Escritura que nos revelam o testemunho daqueles que de maneira profunda experimentaram em suas vidas o fruto da alegria: “Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. [...]. Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio”. (Lc 1,41. 44)

Podemos citar o exemplo de Maria ao compor o Magnificat. Nesse grande cântico de alegria, Nossa Senhora nos ensina que, estando cheios do Espírito Santo, a nossa alma também glorificará ao Senhor: “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu salvador...” (Lc 1,47). Sendo, portanto, portadores da alegria, frutificá-la-emos na vida dos nossos irmãos. É por este poder do Espírito que os filhos de Deus podem dar frutos. “Aquele que nos enxertou na verdadeira vida nos fará produzir Seus frutos”. CIC §736. Ou ainda: “Alegrai-vos, sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!” (Fl 4,4).

Esse é o apelo que brota do coração do apóstolo que, mesmo em cárcere repetirá dezesseis vezes a palavra “Alegria”. São Paulo vive intensamente esse fruto do Espírito, até nos momentos de sofrimento e prisão como podemos notar, ele viveu a Kénosis (Esvaziar-se a si mesmo), por isso pôde com tamanha propriedade descrever o esvaziamento de Cristo (cf. Fl 2,7). Podemos nos perguntar como um homem que passou por prisões, excessivos açoites, três vezes batido com varas, uma vez apedrejado e entre naufrágios e inúmeras viagens perigosas (cf.2Cor 11, 24-26), foi capaz de ainda entoar incansavelmente o seu “Alegrai-vos, sempre no Senhor.”? A resposta a esse questionamento vem pelas palavras do Doutor místico São João da Cruz que nos ensina: “Quem se queixa ou murmura não é cristão perfeito, nem mesmo um bom cristão”. Poderemos permitir que o fruto da alegria seja fecundo em nós “[...] deixando-nos sempre guiar pelo Espírito, e nunca satisfazendo os desejos da carne” (Gl 5,16), para que, assim também, nós que peregrinamos por essa via de esvaziamento possamos “cantar com alegria” a terceira Regra Kénosis: Aceitar tudo o que te acontecer, sem murmurar, com alegria.


Elton Carlos Cardos

Discípulo Missionário Kénosis