"Esvaziou-se a si mesmo..." (Flp 2,7)

Monday, 20 August 2018

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A KÉNOSIS NA VIDA DE SÃO JOSÉ PDF Imprimir E-mail
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Neste dia em que toda a Santa Igreja celebra a solenidade de seu Glorioso patrono, São José, que nós possamos nos aproximar como discípulos desse mestre de vida interior para juntos refletirmos sobre sua vida vazia de si e tão plena de Deus. Por meio de uma vida de oração, alcançaremos a transformação do nosso ser e consequentemente do nosso agir. Podemos, para isso, dar alguns passos determinados no caminho de santidade, como nos aconselha Santa Teresa D`Ávila, ao falar de São José: “quem não encontrar mestre que lhe ensine oração, tome a este glorioso Santo por mestre e não errará no caminho”. O evangelho não evidencia muitos detalhes sobre São José, mas podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que teve prontidão, pois sendo um homem de oração, soube distinguir a voz de Deus por meio do anjo que lhe desperta para a maior missão já dada a um homem sobre a terra: ser o custódio do filho unigênito de Deus.

Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa. E, sem que ele a tivesse conhecido, ela deu à luz o seu filho, que recebeu o nome de Jesus. (Mt 1, 24-25)

São José foi esposo e guardião da Santa Mãe de Deus e do menino Jesus, foi colocado pelo Pai em uma posição que, para muitos na época, seria motivo de vanglória, afinal ele teve em seus braços o tão esperado Messias.  Entretanto, São José não encheu-se de si, antes buscou glorificar a Deus no ordinário da vida entre as ferramentas de sua humilde carpintaria e o profundo amor com que vivia a sagrada liturgia do seu lar. O evangelista Mateus o define como justo, ou seja, um homem cumpridor da vontade de Deus, e como podemos a exemplo do castíssimo esposo de Maria vivermos a Kénosis em nossas vidas?

Eis um importante segredo que São João Crisóstomo nos ensina a respeito da obediência: “não procurar razões daquilo que nos é mandado, mas simplesmente obedecer”. Assim fez São José que, esvaziando-se de suas razões abre mão de toda e qualquer vontade própria, estando a todo o custo pronto a obedecer. Do mesmo modo, nós só possuiremos prontidão para a vontade do Senhor se estivermos em constante esvaziamento de nossas razões e vontades. Agora reflitamos no evangelho a kenótica capacidade de agir de São José:

Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. (Mt 2, 13-14)

Comentando essa passagem São João Crisóstomo, diz: “ao ouvir isso José não se escandalizou nem disse: isto parece um enigma. Ainda há pouco me davas a conhecer que Ele salvaria o seu povo, e agora não só não é capaz de se salvar a si mesmo, como somos nós que temos de fugir [...]” José não raciocinava desse modo como pudemos meditar até aqui, se houvesse alguma frase sua registrada nos evangelhos poderia com justiça ser algo do tipo: “sede meus imitadores, como eu sou de Cristo” (Cf I Cor 11,1), mas ele viveu a eloquência do silencio. Diferente dos apóstolos que tiveram a missão de pregar o nome de Cristo, São José teve a missão de ocultá-lo. Neste sentido São João Paulo II revela em uma simples frase o valor do silencio: “o bem não faz ruído, a força do amor expressa-se na discrição tranquila do serviço quotidiano”.

Que neste dia possamos com filial confiança pedirmos ao pai nutrício de Jesus a graça de vivermos a Kénosis em nossa vida, com a mesma convicção de Santa Teresa que aconselhava encomendarem-se a ele, pois assim como o Senhor foi submisso a São José na terra, onde na qualidade de pai adotivo, o podia mandar, assim no céu atende a todos os seus pedidos.

Glorioso São José, rogai por nós!


Elton Cardoso e Diana Rocha Cardoso

Discípulos Missionários