"Esvaziou-se a si mesmo..." (Flp 2,7)

Wednesday, 24 October 2018

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Leitura orante da Sagrada Escritura - “Lectio Divina”

lectio-divinaA Lectio Divina vem do latim e tem como significado, “leitura divina”, “leitura espiritual” ou ainda “leitura orante da Bíblia”, é um alimento necessário para a nossa vida espiritual. A partir desta oração, conscientes do plano de Deus e a sua vontade, pode-se produzir os frutos espirituais necessários para a salvação. A Lectio Divina é deixar-se envolver pelo plano da Salvação de Deus. Os princípios da Lectio Divina foram expressos por volta do ano 220 e praticados por monges católicos, especialmente as regras monásticas dos santos: Pacômio, Agostinho, Basílio e Bento. Santa Terezinha Do Menino Jesus dizia, em período de aridez espiritual, que quando os livros espirituais não lhe diziam mais nada, ela busca no Evangelho o alimento de sua alma.

O importante é rezar com a Palavra de Deus lembrando o que disseram os bispos no Concílio Vaticano II, relembrando a mais antiga tradição católica, que conhecer a Sagrada Escritura é conhecer o próprio Cristo. Monges diziam que a Lectio Divina é a escada espiritual dos monges, mas é também de todo o cristão. O Papa Emérito Bento XVI fez a seguinte observação num discurso de 2005: “Eu gostaria, em especial recordar e recomendar a antiga tradição da Lectio Divina, a leitura assídua da Sagrada Escritura, acompanhada da oração que traz um diálogo íntimo em que a leitura, se escuta Deus que fala e, rezando, responde-lhe com confiança a abertura do coração”

 
Santidade: você quer ser modelo?

Busca pela santidadePra começar esta reflexão, gostaria de lembrar que o primeiro milagre que acontece quando somos desafiados a falar sobre a santidade é o fato de um pecador, como eu, estar tentando converter outros pecadores. Também explico que não venho aqui fazer uma nova proposta de santidade. Não gostaria de trazer uma ideia de santidade que já estamos acostumados a ver, aquela ideia retratada pelos artistas, nos quadros, nas imagens etc. Nada de ideias de piedade e de tristeza, de pessoas cabisbaixas. Não venho ainda para questionar a roupa que você usa, o calçado, a cor do esmalte em suas unhas ou o corte dos seus cabelos! Acho que isso é muito pouco. A santidade que buscamos não é aquela que traz um rosto de sofrimento. Isso porque para ser santo não estamos condenados a permanecer na fila dos derrotados; pelo contrário, fomos eleitos para sermos vitoriosos!

No entanto, ao abordar essa temática, confesso que tenho medo que esse artigo encontre muitas pessoas resistentes, que não se interessam sobre esse tipo de reflexão. Pessoas que creem estar numa fé “madura”, num outro patamar, e que já não necessitam pensar a respeito. Consideram isso um retrocesso na caminhada, porque ouviram sobre esse assunto o suficiente. Vejamos o que diz a Palavra de Deus, então.

 
A penitência e a mortificação como parte integrante do carisma Kénosis

“Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16, 24).

uma-cruzDepende de nós, da nossa livre iniciativa. O convite do seguimento é condicional e não imposição. No parágrafo 2015 do CIC, a Igreja nos ensina que “o caminho da perfeição passa pela cruz e não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual. O progresso espiritual envolve ascese e mortificação, que levam gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças”.

Sempre a cruz deve ser tomada livremente, em primeiro lugar, a que Deus nos envia sem nós a procurarmos e em seguida outras cruzes que depende totalmente da nossa decisão e da nossa generosidade, ou seja, dos sacrifícios voluntários.

Se quisermos, podemos sacrificar um fim de semana para dar assistência aos pobres, ir ao cinema para visitar um doente, assumir os trabalhos mais pesados, mas ninguém nos impõe e se não queremos nada disso fazemos.

Os sacrifícios voluntários, as mortificações e penitências visam manter o “homem velho” sob domínio e dar liberdade ao “homem novo”, pois ambos travam uma batalha sem fim dentro de nós. O homem velho modelado pelos parâmetros mundanos e pagãos e o homem novo modelado conforme a imagem de Cristo pela graça do Espírito Santo.

Essa batalha interior será vencida por aquele que melhor alimentado for pelas nossas ações cotidianas. O homem velho é mantido sob domínio quando decidimos “crucificar a carne com suas paixões e concupiscências” (Gl 5,24), ou seja, uma vida de penitência e mortificação, pois esta “carne” que aqui significa os maus desejos, o homem egoísta e afastado da graça de Deus, mergulhado num materialismo e “cujo deus é o ventre encontrando prazer no que é terreno” ( Fl 3,19), precisa ser controlado e colocado no seu devido lugar.

O homem velho, que jamais morre e se deixa dominar pelos desejos da “carne” (Gl 5,19-21) tem necessidade das penitências e mortificações para não se tornar senhor de nossas vidas.

 
Reflexões sobre o “Cântico Espiritual”, de São João da Cruz

Meditações sobre as Canções I e II.

Esposa

Canção I

Onde é que te escondeste,

Amado, e me deixaste com gemido?

Como um cervo fugiste,

Havendo-me ferido;

Saí, por ti clamando, e eras já ido.

Canção II

Pastores que subirdes

Além, pelas malhadas, ao Outeiro,

Se, porventura, virdes

Aquele a quem mais quero,

Dizei-lhe que adoeço, peno, e morro.

SJoaodaCruz

Queremos iniciar a formação de hoje fazendo uma revisão da formação anterior trazida pelo Célio Mendes, formador geral da Comunidade Kénosis, e, na sequencia, meditarmos sobre a Canção II do Cântico Espiritual.

A retomada da Canção I na formação tem por objetivo nos ajudar a absorver melhor o tema – sem pretensão de querer esgotar o assunto –, e mergulharmos no conteúdo oferecido por São João da Cruz.

O Cântico Espiritual expressa a relação de amor entre a alma, que vai desde que ela começa a servir a Deus até chegar ao último estado de perfeição que é o matrimônio espiritual.

Na Canção I a alma enamorada de seu Esposo, o Verbo de Deus, deseja unir-se a ele por visão clara de sua essência, expõe suas ânsias de amor, conforme explica S. João da Cruz. (Cant. I, 2). O desejo de unir-se ao Amado leva a alma a deseja-lo unicamente. Por ter sido despertada para o amor, ficou ferida, e agora deseja apenas o encontro com o Amado. Nada, além do Amado, pode satisfazê-la. “Nem a alta comunicação nem a presença sensível é testemunha certa de sua presença, nem a secura e carência de tudo isso na alma o é de sua ausência.” (cf. Cant. I, 4). Ou seja, mesmo as experiências espirituais mais sensitivas não podem oferecer à alma a certeza da presença do Amado, nem os momentos de deserto ou secura espiritual podem ser entendidos como ausência do Amado.

 
Amar Jesus crucificado e crucificado amar Jesus - regra Kénosis I

Jesus Crucificado2Amar a Deus sobre todas as coisas é o primeiro mandamento da lei. Por isso, é a regra¹ fundamental do chamado Kénosis.  A prática do amor deve ser exercida no tempo presente, no hoje de nossa história. “Bem aventurado o que conhece o que é amar a Jesus e desprezar-se a si mesmo por amor de Jesus! Nosso amor para com Ele deve nos afastar de qualquer outro amor, porque Jesus quer ser amado sobre todas as coisas” (Imitação de Cristo, Lv. II, Cap. VII, 1)

Num tempo em que o cristianismo é apresentado como sinônimo de prosperidade material e a mensagem do Evangelho é desfigurada, não é difícil encontrar pessoas que dizem amar Jesus. Então perguntamos, é possível ainda encontrar pessoas que queiram Amar Jesus Crucificado, como fizeram os santos ao longo da história? “Jesus Cristo tem agora muitos amam seu reino celestial, mas poucos que levam a sua cruz. Muitos seguem a Jesus até o partir do pão, poucos, porém, até o beber do cálice da sua paixão.” (Imitação de Cristo, Lv. II, Cap. XI, 1)

 
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