ESPIRITUALIDADE

A Comunidade Kénosis vive a Espiritualidade de Pentecostes, a partir da experiência denominada batismo no Espírito Santo e suas consequências na práxis pastoral.

Além do exercício dos carismas, a espiritualidade da Comunidade Kénosis é também místico-contemplativa, apoiando-se nas experiências vividas por Santa Tereza de Ávila e São João da Cruz, santos carmelitas descalços, de onde aprofundamos também sua teologia mística.

O amor filial à Maria, Mãe de Jesus, deve ser vivido pelos membros da Comunidade Kénosis. A espiritualidade kenótica é constituída de quatro dimensões: bíblica, carismática, contemplativa e mariana.

DIMENSÃO BÍBLICA 

A santidade somente é concebível a partir de uma renovada escuta da Palavra de Deus. Viver a espiritualidade significa, antes de mais nada, partir de Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, presente como Palavra encarnada e Revelada, “a primeira fonte de toda vida espiritual cristã”, como ensina S. João Paulo II. De modo particular, lemos na Novo Millenio Ineunte: “é necessário que a escuta da Palavra se torne um encontro vital que permite ler o texto bíblico como palavra viva que interpela, orienta, plasma a existência. É lá, com efeito, que o Mestre se revela, educa o coração e a inteligência. É lá que se amadurece a visão da fé, aprende-se a olhar a realidade e os acontecimentos com o mesmo olhar de Deus, até chegar a ter o ‘pensamento de Cristo’ (1Cor 2,16)”. (Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Instrução n. 09, parágr. 24)

Para explicar suas experiências místicas, Santa Teresa de Ávila sempre recorre a imagens bíblicas; e o próprio Jesus lhe revela que “todo o mal do mundo deriva de não se conhecer claramente a verdade da Sagrada Escritura” (Livro da Vida 40,1). São Jerônimo ensina que “ignorar as escrituras é ignorar o próprio Cristo”.

Na conclusão do Sínodo da Palavra encontramos a seguinte orientação: “Desejo lembrar que a grande tradição monástica sempre teve como fator constitutivo da própria espiritualidade a meditação da Sagrada Escritura, particularmente na forma da lectio divina. De igual modo, hoje, as realidades antigas e novas de especial consagração são chamadas a ser verdadeiras escolas de vida espiritual onde se há de ler as Escrituras segundo o Espírito Santo na Igreja, de modo que todo o Povo de Deus disso mesmo possa se beneficiar.”.

DIMENSÃO CARISMÁTICA

  Foi S. João Paulo II quem disse: “Desejo que a espiritualidade de Pentecostes se difunda na Igreja como um impulso renovado de oração, santidade, comunhão e anúncio. […] Abram-se com docilidade aos dons do Espírito Santo! Recebam com gratidão e obediência os carismas que o Espírito não cessa de oferecer!” O Decreto Apostolicam Actuositatem afirma que “o Espírito Santo – que opera a santificação do Povo de Deus por meio do ministério e dos sacramentos – concede também aos fiéis, para exercerem este apostolado, dons particulares (cf. 1Cor 12,7), ‘distribuindo-os por cada um conforme lhe apraz’ (1Cor 12,11), a fim de que ‘cada um coloque ao serviço dos outros a graça que recebeu’ e todos atuem, ‘como bons administradores da multiforme graça de Deus’ (1Pe 4, 10), para a edificação, no amor, do corpo todo (cf. Ef 4, 1).” (AA, 3). Com o Magistério acreditamos que os dons não devem ser considerados como algo facultativo na vida da Igreja; melhor, “a recepção destes carismas, mesmo dos mais simples, confere a cada um dos fiéis o direito e o dever de os atuar na Igreja e no mundo, para bem dos homens e edificação da Igreja, na liberdade do Espírito Santo” (AA, 3).

A Comunidade Kénosis vive a espiritualidade de Pentecostes a partir da experiência denominada batismo no Espírito Santo. Cremos na graça do batismo no Espírito Santo, nessa experiência de sentido radical onde a presença ativa do Espírito torna-se sensível à consciência pessoal, que muda a nossa vida por meio de uma progressiva conversão e que renova nossas forças através de múltiplas efusões do Espírito ao longo da caminhada cristã.

DIMENSÃO CONTEMPLATIVA

A contemplação não descarta nem rebaixa o valor da fé e da caridade operante. Na verdade, é por meio da contemplação que a fé se desenvolve e a caridade amplia seu alcance.

Somos chamados a buscar o “conhecimento espiritual”, fruto de uma vida oração e da presença do Espírito, e a contemplação é uma forma de levar-nos à “união com Deus de mente e coração” (PC 5).

A Comunidade Kénosis nos propõe a oração contemplativa como meio para alcançar uma adesão mais pessoal e profunda ao mistério da fé. As três formas principais de oração contemplativa são: a oração litúrgica; a meditação e a contemplação mística.

É tradicional a graduação da oração em três etapas sucessivas: vocal, mental-meditativa, contemplação. Santa Teresa afirma que é na graça da contemplação mística, onde Deus manifesta mais ostensivamente sua gratuidade incondicional. É muito possível a passagem da oração vocal à contemplativa: “Digo-vos que é muito possível que estando rezando o Pai Nosso vos ponha o Senhor em contemplação perfeita” (C 25,1; C 30,7).

S. João da Cruz relaciona a noite passiva do sentido à entrada na via mística, pois prepara a passagem da meditação discursiva para a oração contemplativa (mística).

DIMENSÃO MARIANA

A nossa busca pela vivência da santidade passa por Maria. “Desde que Maria formou o Chefe dos predestinados, que é Jesus Cristo, a Ela também compete formar os membros desse Chefe, que são os verdadeiros cristãos; pois uma mãe não forma a cabeça sem os membros, nem os membros sem a cabeça. Quem quiser, pois, ser membro de Jesus Cristo, cheio de graça e de verdade, deve ser formado em Maria por meio da graça de Jesus Cristo, que nela reside em toda a plenitude, para ser plenamente comunicada aos verdadeiros membros de Jesus Cristo e aos seus verdadeiros filhos.” (S. Luís G. Montfort).

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