CORPUS CHRISTI

“Não percamos tão grande oportunidade para negociar com Deus. Ele (Jesus) não costuma pagar mau a hospedagem se o recebermos bem.” (Santa Teresa D’Avila)

  As vésperas da festividade de Corpus Christi, a qual para nós católicos é marcada por trazer os ensinamentos do próprio Cristo, nossa baluarte Santa Teresa eleva nosso coração e nos coloca como hospedeiros para o Corpo do Senhor, fazer de nós essa pequena morada de Cristo nos leva a refletir como temos o acolhido, ou até mesmo se temos o acolhido, Ele deseja se hospedar em nós, descansar em nós, morar e permanecer em nós.

  Certa vez Frei Gilson nos alertou dizendo sobre sua preocupação com o católico que não comunga, pois este tem algo que que precisa ser resolvido, para

aprofundarmos um pouco mais sobre a preciosidade de Corpus Christi conversamos com a missionária Flávia que partilhou um pouco sobre a alegria de ser católica e poder testemunhar o desejo de buscar ser morada do Senhor a cada dia.

Quem é a Flávia?

  Sou Flávia, tenho 27 anos e sou natural da cidade de Itaí, no interior de São Paulo. Não cresci em uma família de fé católica, só tive uma experiência profunda com o amor de Deus em 2010, ao participar de uma adoração após a santa missa em um cerco de Jericó. A partir disso, comecei a fazer catequese e, naquele mesmo ano, recebi os sacramentos. Nesse tempo de preparação, também participava da reunião de oração e da perseverança do grupo de oração, para servir na RCC.

  Queria corresponder àquele Amor — que havia transformado a minha vida —sendo missionária. Servi na paróquia, na diocese e no estado, por meio de missões do Ministério Jovem. Queria doar ainda mais a minha vida, não apenas algum tempo, mas tudo. Foi quando, em 2016, comecei a fazer caminho na Comunidade Kénosis e, em 2020, com o discernimento dos membros, dei o meu sim para a comunidade de vida.

Estamos às vésperas da festividade de Corpus Christi e, para nós católicos, é uma alegria celebrar o Corpo do Senhor. O que é, para você, essa festividade? Qual a importância dela?

  Como eu não era católica, lembro-me da primeira vez de que participei dessa festividade: não entendia muito, mas fiquei impactada ao ver que Jesus

Eucarístico saía às ruas; que a Igreja Católica não era fechada e que levava o próprio Jesus até as ruas para ser visto e adorado por todos. Essa experiência me fez amar Jesus Eucarístico e reconhecer que Ele sempre está presente. Na época, como eu ainda não havia feito a primeira comunhão, vivi a doce espera de querer recebê-lo e, mesmo não podendo comungar, tinha a certeza de que Ele estava presente.

Sabemos que cada diocese e paróquia têm seus costumes para essa celebração. Em sua cidade, como era? Alguma dessas celebrações te marcou?

  Em Itaí, há somente uma paróquia, a de Santo Antônio. São separadas, então, as ruas do centro da cidade por pastorais, movimentos e escolas, para fazer a decoração do tapete onde Jesus passa.

Os tapetes são feitos de cartazes, TNT, tecidos, pó de serragem e, ao lado dos tapetes, são colocados alimentos não perecíveis que depois são doados para famílias carentes.

  A primeira celebração de Corpus Christi que participei foi muito impactante para mim, mas também a do ano passado me marcou muito. Por causa da pandemia, não podíamos participar presencialmente da missa, ainda assim, lembro que, durante a missa, vinha-me uma certeza tão grande de que o corpo de Jesus que estava sendo celebrado está acima de qualquer coisa, e, enquanto uma Santa Missa estiver sendo celebrada, a nossa fé estará sendo alimentada. É Deus que de fato se faz presente no meio de nós!

Nosso carisma Kénosis encarna o esvaziamento constante; nossas regras nos impulsionam a ser e agir conforme a vontade do Senhor. A festividade de Corpus Christi te inspira de alguma forma a viver o carisma kenótico?

Me inspira muito. Cristo que se faz presente em uma pequena Hóstia Consagrada, me mostra o esvaziamento total de um Deus que se faz alimento para nós. Impulsiona-me a me esvaziar de mim — que não sou nada — para me encher d’Ele, que é O Tudo.

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele.

(JO 6, 56)

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