"Esvaziou-se a si mesmo..." (Flp 2,7)

Tuesday, 16 October 2018

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TERCEIRA DOR: A PERDA DO MENINO JESUS (Lc 2,41–50) PDF Imprimir E-mail

Sentir a falta de um filho do qual a presença nos é tida como certa. Eis a dor que os pais conhecem ou, pelo menos, lhes é possível compreender quão grande seja tal sofrimento. Quando o Filho é Deus, não encontramos parâmetro para tamanha dor. No entanto, Maria e José santamente a conheceram.

Os hebreus celebravam suas festividades em Jerusalém, onde se dirigiam várias vezes no ano, sobretudo no tempo Pascal. Segundo São Lucas, a Sagrada Família de Nazaré cumpria esses preceitos, pois São José e a Virgem Maria “iam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa” (Lc 2,41). E acrescenta: “Quando o menino completou doze anos, segundo o costume, subiram para a festa“ (Lc 2,42).

Era costume entre os israelitas irem às festas em caravanas, separados os homens e as mulheres, sendo que os meninos podiam ir com o pai ou com a mãe. Portanto, “São José e a Santíssima Virgem, não vendo o Menino ao lado, acreditaram, cada um por sua parte, que estava em companhia do outro” (São Beda). Maria estava tranquila em saber que seu filho estava com seu esposo, dele cuidando e sendo por ele cuidado. São José, por sua vez, não tinha porque se preocupar, na certeza de que Jesus e Maria estavam juntos.

Uma vez percebida a ausência de Jesus, seus pais, imediatamente, começam a procurá-lo: primeiramente na superfície (proximidade, parentes e amigos) e, em seguida, mais profundamente (em Jerusalém). Finalmente, após três dias de busca, “eles o encontraram no Templo, sentado em meio aos doutores, ouvindo-os e interrogando-os” (Lc 2,46). Em seu agir, Maria nos ensina a encontrar seu Filho. Quando a alma, verdadeiramente apaixonada, se dá conta da ausência do seu Amado, do seu Bem Maior, percorre decididamente esse caminho de busca: do imediato da superfície (exterioridade, esforço) ao abandono na profundidade (interioridade, templo do Espírito Santo), conciliando o esforço humano e a graça.

 

De um modo geral, quanto mais desejamos a presença de alguém, mais sentimos a sua ausência. Para Maria e José, a presença de Jesus era o que mais desejavam.   Por estar seu filho junto a si nas demais dores, talvez seja esta a maior das dores da Mãe Santíssima, nos ensina Santo Afonso de Ligório: “Na presente dor, porém, sofreu longe de Jesus e sem saber onde ele estaria. Desfeita em lágrimas, suspirava por isso com o Salmista: Até a luz dos meus olhos não a tenho (Sl 37, 11)”.

Que a Virgem das Dores nos inspire e nos conduza a buscar o Senhor, não somente pela dor da ausência do Filho de Deus, mas pelo imenso amor por Jesus Cristo, que faz da Sua presença o que de mais importante uma alma possa desejar. Seja Nosso Senhor Jesus Cristo a ausência mais sentida e a presença mais desejada por cada um de nós.

Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!


José Luiz S. dos Santos

Discípulo Missionário Kénosis