"Esvaziou-se a si mesmo..." (Flp 2,7)

Tuesday, 16 October 2018

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O Perdão na Família PDF Imprimir E-mail
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Nossa família é um tesouro precioso que não nos pertence, um tesouro de Deus que por bondade e misericórdia foi a nós confiado. Deus é tão bom e confia tanto em cada um de nós que nos deu, depois Dele, aquilo que é mais precioso sobre a face da terra: a Família, e assim, Ele confiou também a nós, zelar por ela.

Infelizmente, por conta do pecado, o homem perdeu a comunhão com Deus, a comunhão consigo e consequentemente a comunhão com o outro. O convívio ficou insuportável e, por vezes, a melhor e mais fácil opção é a fuga. O homem se tornou um fugitivo, pois foge de sua vocação, de sua felicidade e plenitude, da família e daqueles que o amam.

O remédio para tamanha desordem na vida do homem é o perdão. Por isso, Deus, que sempre dá o primeiro passo, veio até nós e perdoou os nossos pecados. Ensinou-nos o perdão incondicional. Ensinou-nos o perdão incondicional e constante, (cf. Mt 18, 21-22), para que igualmente o pratiquemos.

O perdão revela o poder de Deus e a sua misericórdia. Ele deu ao homem poder participar dessa graça pela prática, o exercício, o ato de perdoar. O perdão mostra então a fortaleza de um homem, seu caráter e sua misericórdia. Somente aquele que reconhece seus limites e fraquezas,  suas inconstâncias e pecados e experimentou o perdão de Deus, pode agora perdoar a todos os que o ofende.

O perdão se tornou uma marca de Deus no mundo, a certeza de sua presença naqueles que perdoam, e o caminho para uma vida plena, completa e cheia de sentido. É também a direção para não fixar os olhos nos erros e sim no pecador e saber que, muitas vezes cometemos o mal que não queremos (cf. Rm 7,19).

Perdão é o exercício para viver a humildade e faz parte da essência de Deus, do seu modo de agir e de manifestar. Quem não perdoa, não conhece a Deus.

Em sua Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia, no número 105, o Santo Padre nos alerta que “a falta de perdão na família, faz com que eu busque culpados”, imagine maldades e vinganças que gerem um desequilíbrio na vida familiar. No número 106, nos recorda que “diante das ofensas e desilusões é possível e desejável o perdão”, mas reconhece que não é fácil essa atitude.

Na Amoris Laetitia, o Santo Padre também nos ensina que o perdão exige sacrifício e renúncia. Podemos dizer que exige esvaziamento das razões e direitos, submeter-se e, por vezes, humilhar-se, seguindo o caminho de Cristo, que se humilhou até a morte por amor. (cf. Fl 2,8).

É na renúncia de si mesmo e no perdão, que consigo viver em família, amando os meus, com seus limites e pecados, com seus sonhos e frustrações, com suas entregas e decepções. Nela aprendemos o valor do perdão para que cada lar se torne também a morada de Deus.

Pelo perdão, faço da minha casa sempre um lar onde sou tratado, acolhido, amado e compreendido. Aprendo a crescer, amar e me tornar adulto diante de Deus e diante dos homens, testemunhando que sempre são possíveis o perdão e o recomeço. O perdão familiar também conduz à ternura do abraço, à alegria do reencontro, à satisfação da convivência e da partilha, gerando frutos de reconciliação, confiança, amizade e estima.

No Catecismo, parágrafo 1657, a Santa Igreja, afirma que “é na família que se exerce de modo privilegiado o sacerdócio batismal, fazendo do lar a primeira escola de vida cristã, onde se aprende a resistir à fadiga e a alegria no trabalho, o amor fraterno e o perdão generoso.”

São João da Cruz nos ensinou que “onde não há amor, devemos colocar amor e colheremos amor” e o modo primeiro de colocar amor é através do perdão. Ainda segundo São João da Cruz, uma alma que “caminha no amor não se cansa”, ou seja, uma família que caminha no amor, não se cansa de perdoar e criar para si um ciclo de virtudes através do perdão e do amor.

Que a Sagrada Família de Nazaré nos ensine a perdoar sempre, para que o amor de Deus em nossos lares floresça e dê frutos!


Célio Mendes  e Maria Aparecida

Discípulos Missionários Kénosis