"Esvaziou-se a si mesmo..." (Flp 2,7)

Thursday, 12 December 2019

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Espiritualidade
A meditação em SantaTeresa e São João da Cruz PDF Imprimir E-mail

Santos CarmelitasPara Santa Teresa meditar é "começar a tirar água do poço" (V.11), discorrer muito com o entendimento (6M7,10). São João da Cruz é mais preciso: "a meditação é ato discursivo por meio de imagens, formas e figuras, fabricadas e imaginadas pelos ditos sentidos" da imaginação e fantasia (2S12,3).

Ambos adotam a mesma postura sobre a importância e o mérito da meditação, ou seja, da oração que se utiliza do entendimento que se move a Deus por meio das coisas sensíveis, ainda que concordam também de que a meditação é o início da vida orante, uma forma primeira de oração. Para aqueles que seguem o caminho da oração, a meditação deixará lugar a formas mais interiores de orar.

O fim da meditação é, segundo João da Cruz, "tirar alguma notícia e amor de Deus" (2S 14,2; 12,5); "dispor e habituar o espírito ao espiritual" (2S 13,1), até que se passe da meditação à contemplação, no tempo certo, com atento discernimento.

Pressuposto da meditação é a dimensão teologal que deve mover o orante. A meditação cristã não é simples método de relaxamento. É meio para comunicar-se com Deus, de quem o orante aceita, de antemão, o protagonismo. A oração deve ser fundamentada no que convencimento de que "o que se faz, faz-se para o prazer e o serviço do Senhor" (V. 11,11), e deve ser praticada com a determinação e a liberdade do amor a Deus, sem outros interesses, nem lágrimas, nem gostos e ternuras, "senão em servir com justiça e fortaleza de alma e humildade" (ib. 14).

 
A Importância da Oração e Meditação PDF Imprimir E-mail

Rezando02Quem não reza, se condena!

Em primeiro lugar, Deus nos faz conhecer, por este meio, o grande amor que nos tem.Quer maior prova de amizade uma pessoa pode dar a seu amigo do que lhe dizer: pede-me o que quiseres e de mim receberás?

Ora, é justamente isso que o Senhor nos diz: “Pedi e vos será dado, buscai e achareis”.Por isso mesmo, a oração se torna poderosa junto de Deus para nos alcançar todos os bens.

A oração tudo pode, quem reza alcança a Deus o que quer. “Bendito seja Deus que não rejeitou minha oração, nem retirou de mim a sua misericórdia”.Diz Santo Agostinho: “Quando percebes que não te falta a oração, fica sossegado, pois a misericórdia de Deus não te faltará”.E São João Crisóstomo disse: “Sempre se alcança, até mesmo enquanto estamos rezando”.Quando pedimos ao Senhor, já antes de terminados de pedir, ele nos dá a graça que suplicamos.

Se portanto, somos pobres, queixemo-nos só de nós mesmos.Somos pobres porque assim o queremos e por isso não merecemos compaixão.Que compaixão pode merecer um mendigo, que tendo um patrão muito rico prefere ficar na sua miséria só para não pedir o que lhe é necessário?Deus está pronto a enriquecer todos os que lhe pedem: “É Rico para todos que o invocam”.

 
Reflexões sobre o “Cântico Espiritual”, de São João da Cruz PDF Imprimir E-mail

Meditações sobre as Canções I e II.

Esposa

Canção I

Onde é que te escondeste,

Amado, e me deixaste com gemido?

Como um cervo fugiste,

Havendo-me ferido;

Saí, por ti clamando, e eras já ido.

Canção II

Pastores que subirdes

Além, pelas malhadas, ao Outeiro,

Se, porventura, virdes

Aquele a quem mais quero,

Dizei-lhe que adoeço, peno, e morro.

SJoaodaCruz

Queremos iniciar a formação de hoje fazendo uma revisão da formação anterior trazida pelo Célio Mendes, formador geral da Comunidade Kénosis, e, na sequencia, meditarmos sobre a Canção II do Cântico Espiritual.

A retomada da Canção I na formação tem por objetivo nos ajudar a absorver melhor o tema – sem pretensão de querer esgotar o assunto –, e mergulharmos no conteúdo oferecido por São João da Cruz.

O Cântico Espiritual expressa a relação de amor entre a alma, que vai desde que ela começa a servir a Deus até chegar ao último estado de perfeição que é o matrimônio espiritual.

Na Canção I a alma enamorada de seu Esposo, o Verbo de Deus, deseja unir-se a ele por visão clara de sua essência, expõe suas ânsias de amor, conforme explica S. João da Cruz. (Cant. I, 2). O desejo de unir-se ao Amado leva a alma a deseja-lo unicamente. Por ter sido despertada para o amor, ficou ferida, e agora deseja apenas o encontro com o Amado. Nada, além do Amado, pode satisfazê-la. “Nem a alta comunicação nem a presença sensível é testemunha certa de sua presença, nem a secura e carência de tudo isso na alma o é de sua ausência.” (cf. Cant. I, 4). Ou seja, mesmo as experiências espirituais mais sensitivas não podem oferecer à alma a certeza da presença do Amado, nem os momentos de deserto ou secura espiritual podem ser entendidos como ausência do Amado.

 
Dificuldades na vida de oração PDF Imprimir E-mail

Vida oracao 02Neste artigo sobre as dificuldades para uma fecunda vida de oração, não considerarei aspectos físicos como cansaço e estresse ou aspectos psicológicos ou até mesmo a secularização de nosso século que visivelmente contribui para uma geração dispersa, ansiosa, sem tempo e sem foco para aquilo que é essencial. Uma sociedade onde a televisão e os meios de comunicação exercem prioridade ao relacionamento com Deus e com os irmãos. Onde apesar de uma superabundância de informações, priorizam a superficialidade e se tornam cada vez mais incapazes de uma introspecção e comunhão. As consequências são: individualismo e egocentrismo. Assim, dificilmente teremos uma geração orante no sentido real.

Controlar a mente, as dispersões e centralizá-la em Deus parece um exercício quase impossível, procurar o silêncio fugindo da agitação cotidiana e aniquilar as vontades algo sem sentido para a maioria. Essas características enfraquecem o homem e seu relacionamento com Deus, logo dificulta a oração. A oração se torna algo sem sentido e desnecessário para os que acreditam que podem resolver tudo com o avanço tecnológico, com as próprias forças e sabedoria humana. Deus se torna desnecessário nesse relacionamento ou alguém que existe apenas para fazer a vontade das criaturas. Não é mais Senhor e Criador, não é mais a Verdade, o Caminho e a Vida. Torna-se alguém supérfluo, distante, alheio e desconhecido.

 
Matrimônio Espiritual PDF Imprimir E-mail

Matrimonio EspiritualMais de um milênio antes do nascimento de Santa Teresa, o grande Santo Agostinho eternizava em seu livro das Confissões a seguinte verdade: "Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estava dentro e eu fora." A principio me parece que todo cristão vive essa experiência, de buscar Deus no exterior, em lugares físicos e em situações, esquecendo que a Sabedoria ensinou "entra no teu quarto, fecha a porta ( Mt 6,6)" e " recolhido em minha casa, repousarei, porque a sua convivência não tem nada de desagradável, e sua intimidade nada de fastidioso; traz consigo, pelo contrário, o contentamento e a alegria! (Sb 8,16)".

O encontro verdadeiro com Deus passa pelo despertar da consciência para essa verdade única e eterna que é Deus está conosco, não uma idéia baseada apenas no intelecto, mas uma idéia maturada na experiência, no relacionamento e na busca constante do Eterno. Quanto mais desenvolvo a consciência de quem "sou eu", quanto mais me conheço, abro espaço para uma transformação, para uma metanóia, enxergo que não basto em mim mesmo, que não me completo e que preciso então Daquele que encerra toda a minha busca e desejos de felicidade e plenitude.

 
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